À espera de uma alta de 4% em termos de faturamento na Black Friday de 2019, o varejo físico aposta em descontos agressivos em itens da categoria premium. O movimento – que tem brecado o avanço do e-commerce na data – pode prejudicar a precificação nos meses posteriores ao evento.

Os dados, provenientes de um estudo feito pela empresa de pesquisa de mercado GfK, apontam para um incremento de 5% no número de consumidores que devem aderir à data promocional, em relação ao ano passado.

A receita total para o período de 2019 está estimada em R$ 13,5 bilhões em bens duráveis.“O canal de venda físico vem demonstrando uma capacidade de criar descontos mais agressivos do que no ambiente virtual. Em virtude da renda do brasileiro mais restrita, o momento da negociação de condições de parcelamento entre vendedor e o cliente é muito melhor”, declarou o presidente da empresa na operação da América Latina, Felipe Mendes.

Ele lembrou também que as vendas nas operações físicas tiveram alta de 10% na data sobre um ano antes; enquanto que as vendas online apresentaram alta de 7%.De acordo com o executivo, nos últimos dois anos, os varejistas têm optado por descontos maiores na categoria de bens duráveis premium, os quais já apresentam valores superiores em relação ao portfólio convencional do negócio. “O índice de parcelamento nos canais físicos é de 33% em períodos de alta sazonalidade; enquanto que nas operações online é de 21%.

No ano passado, observamos uma queda de 11% no preço médio dos refrigeradores premium no período. Já os celulares, conseguiram um bom desempenho de vendas também e uma elevação de 2% no preço médio”, afirmou ele, destacando que o desejo pela atualização do aparelho é relevante para o consumidor brasileiro.

Nesse sentido, outro ponto destacado por Mendes diz respeito à capacidade dos lojistas precificarem esses produtos nos meses posteriores à data comemorativa. “O preço desses produtos acabam virando uma referência para o consumidor ao longo do ano. Se o movimento de desconto for muito intenso nessa data específica, existe o risco de ‘erosão’ da marca em outros períodos, uma vez que os clientes não vão receber bem uma reclassificação desses preços”, complementou o executivo.Segundo o levantamento da GfK, o preço promocional dos lançamentos, em 2018, não voltaram aos patamares pré-Black Friday, indicando uma dificuldade em relação à rentabilidade e margem dos produtos.

A título de exemplo, o estudo explica que um celular com o preço hipotético de R$ 100, em setembro, acabava sofrendo erosão chegando a custar R$ 83 após oito meses.Ainda conforme os dados divulgados, no segmento do varejo físico, os consumidores visitam no máximo duas lojas para pesquisar preços e opções de produtos. Além disso, os varejos especializados no segmento de bens duráveis puxaram o desempenho do setor como um todo – com crescimento de 13% contra 10% de alta no comércio geral.

“Existem marcas que conseguem manter o preço médio, como por exemplo no caso dos celulares. Porém, cada categoria têm a sua dinâmica. Não dá para estabelecer a mesma estratégia promocional para todos os itens do portfólio de forma uniforme”, complementou o executivo.

 

Fonte: Newtrade

 

Força da negociação dos varejistas na loja física será crucial na Black Friday