Quando se toma a decisão de empreender, de ter o próprio o negócio, os planos são para o futuro, pensando de forma perene. “Não seria racional pensar em falência ao abrir uma empresa, dá até azar diriam alguns” explica Fábio Yamamoto, especialista em auditoria e controladoria, sócio da Tiex, empresa de consultoria e gestão corporativa financeira. “Não há motivos para pensar em fechar a empresa no momento de abri-la, mas é preciso ter estratégias para mudanças de rumo caso todo planejamento vá por água abaixo”, diz Fábio.

Segundo o especialista, o planejamento envolve pensar em alternativas para o que eventualmente vier a dar errado, e muitas vezes tanta coisa acaba dando errado, que é preciso se preparar para desistir totalmente do negócio e partir para outra. “Especialmente na cultura empresarial brasileira, reveses são vistos apenas como incompetência, o que pode ou não ser verdadeiro, mas insucessos, como “quebrar” uma empresa não tem somente aspectos negativos.

Em muitos países o fracasso é visto como uma experiência positiva, pois acrescenta à experiência deste profissional uma lista de coisas que não se deve fazer” diz Fábio.

“Existem alguns indícios de que as coisas não vão bem e que qualquer ação que seja feita, não surtirá efeitos suficientes para virar o jogo”, completa Fábio.

Veja abaixo 3 sinais de alerta para avaliar a continuidade da empresa, apontados por Fábio Yamamoto, sócio da Tiex:

1) Lucro ou geração de caixa muito baixo ou negativo

A empresa gera lucro ou caixa?

Olhe para o último ano (de preferência para os últimos), a empresa está gerando caixa regularmente?

Ou seja, sobra dinheiro?

Se a resposta for não, e seu negócio não for filantropia, talvez seja hora de rever se vale a pena dar continuidade ao negócio.

Mesmo que a empresa gere resultado, ele é suficiente para remunerar todos os sócios de forma razoável?

É preciso estabelecer uma taxa de retorno para seu negócio, existem indicadores relativamente padronizados para determinados segmentos de negócio, contudo vale o exercício individual para estabelecer qual o retorno esperado daquela empresa.

Você é o único sócio?

Uma conta simples seria se colocar na situação de um empregado, o que a empresa está te pagando é suficiente para você querer continuar nesta empresa?

 

2) Dívidas

Quão endividada está sua empresa?

Não há uma regra fixa para medir o tamanho da dívida, mas se a empresa não gerar caixa suficiente para pagar seu endividamento é um sinal claro de que o negócio não vai bem.

Por exemplo, se a empresa gera 10 de caixa e gasta 12 para saldar endividamento, a falta de caixa irá impossibilitar sua capacidade de investimento, ou seja, não será possível investir em novas máquinas, em pessoas, em inovação e a tendência é de que o endividamento só aumente.

É importante ressaltar que dívidas da empresa devem ser pagas pela empresa. Se a dívida se torna tão grande que a empresa não consegue arcar, ou então o que sobra após o pagamento da dívida é tão pouco, é hora de avaliar se o momento é de abandonar o barco de vez e partir para outro negócio.

 

3) Insatisfação pessoal

Aqui entra o viés não financeiro deste tripé.

Pode ser o momento de fechar a empresa ou como se diz “passar o negócio adiante”, quando a insatisfação pessoal com o negócio por parte dos proprietários começa a interferir na empresa.

Seja a insatisfação de ordem financeira, seja de dedicação de tempo, seja dos rumos que a empresa tomou. Aos poucos esse comportamento vai minando o negócio, a insatisfação acaba levando a falta de interesse ou empenho no dia a dia, o que certamente irá ocasionar a morte lenta do seu negócio.

Avalie o que você pretendia quando iniciou o negócio, mais tempo, mais dinheiro, realização pessoal, e se o que te levou a abrir o negócio não está sendo atendido é natural que a insatisfação tome conta.

Lembrando que as condições não são cumulativas, qualquer dos fatores isoladamente é importante o suficiente para colocar em risco o futuro da empresa e, portanto, devem ser observados com bastante atenção.

Adicionalmente, quanto de seu patrimônio pessoal está em risco nesse negócio? Dívidas pessoais foram contratadas para tentar manter o negócio de pé?

Com toda certeza existem diversos outros fatores a serem levados em consideração antes de fechar uma empresa, mas se você não vê perspectivas de melhorar a rentabilidade da sua empresa, se o endividamento já está prejudicando a atividade normal de sua empresa e você começa a ser afetado diretamente com seu patrimônio pessoal sendo colocado em risco, eu diria que existem bons argumentos para pensar em atualizar seu currículo ou pensar em um novo negócio.

Lembrando que isto não deve ser visto como algo a se envergonhar.

Caso a decisão seja por realmente fechar a empresa ou vendê-la, deve-se levar todo esse aprendizado para um eventual novo empreendimento ou até mesmo emprego, pois é importante extrair o viés positivo desse insucesso de forma a aprender com os erros cometidos aumentando as chances de sucesso na próxima tentativa.

 

Fonte: https://newtrade.com.br/carreira/3-sinais-de-alerta-para-avaliar-se-vale-pena-continuar-com-seu-negocio/
3 Sinais de alerta para avaliar se vale a pena continuar com seu negócio

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